Arquivo da categoria: Adaptados para o cinema

Bons livros, peças de teatro e afins que foram para a telona.

O Poderoso Chefão

Mafiosos, intrigas, disputas de poder e um jovem que se transforma para defender a honra do pai. “O poderoso chefão” foi baseado no romance homônimo de Mario Puzo “The Godfather”. Dirigido por Francis Ford Coppola, o filme conta com a atuação dos gigantes do cinema Marlon Brando e Al Pacino.

Em 1945, Don Corleone (Marlon Brando) é o chefe de uma família da máfia italiana de Nova York. Ele apadrinha e protege pessoas em troca de favores. Quando Corleone se recusa a entrar no negócio das drogas se inicia uma guerra de gangues. É então que Michael (Al Pacino), que nunca havia se envolvido com os negócios sujos da família resolve vingar o pai e, frio e calculista, se transforma no novo Don de Nova York.

Há muitos filmes do gênero, dramas policiais que mostram mafiosos, guerras de gangues, traições e defesa da honra, mas nesse universo de filmes “O poderoso chefão” se destaca por ser um tratado sobre o submundo, em que o mundo do crime é mostrado e desvendado, mas com imparcialidade. Ao final de “O poderoso chefão” você provavelmente não saberá dizer se o mundo do crime é bom ou ruim, mas com certeza estará impressionado com a genialidade da história, que envolve o espectador do início ao fim com uma trama inteligente e penetrante.

Premiações

Vencedor de três Oscars, nas categorias  melhor filme,  melhor roteiro  adaptado e melhor ator.

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Confira os Prêmios do Clássico Doutor Jivago

Ficou curioso para ver “Doutor Jivago”? Então aqui vão mais alguns motivos para você assistir esse clássico:

Prêmio Nobel
O livro “Doutor Jivago” de Boris Pasternak, que inspirou o filme,  ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1958.

Indicado ao Oscar (1966) em dez categorias 
Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia , Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora,  Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Tom Courtenay), Melhor Edição e Melhor Som.

Vencedor de cinco Oscars (1966)
Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora.

Indicado ao Globo de Ouro em seis categorias (1966)
Melhor Revelação Feminina (Geraldine Chaplin), Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator – Drama (Omar Sharif), Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.

Vencedor do Globo de Ouro em cinco categorias  (1966)
Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator – Drama (Omar Sharif), Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.

Indicado ao BAFTA em  três categorias ( 1967 )
Melhor Filme, Melhor Ator Britânico (Ralph Richardson) e Melhor Atriz Britânica (Julie Christie).

Vencededor do Grammy (1967 )
Melhor Trilha Sonora Composta Para um Filme.

Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes (1966 )

Vencedor do Prêmio David di Donatello (1967 )
Melhor Filme Estrangeiro.

 Confira o trailler original de “Doutor Jivago”

O Último Épico: Doutor Jivago

Falando de clássicos dos anos 60, quem nunca ouviu falar do épico “Doutor Jivago”? Seja na escola, no trabalho ou na roda de amigos, esse filme  sempre é comentado. Produzido em 1965, o longa de 197 minutos pode entrar na lista dos filmes que você precisa assistir antes de morrer.

 Baseado no livro de Boris Pasternak, a história do médico e poeta tem como cenário a Revolução Russa e cativou públicos de todas as partes do planeta por sua veracidade e sensibilidade.

 Mais do que a história de um médico ou a história de uma revolução,

“Doutor Jivago” mostra como a humanidade escreve sua própria história, e como todo o ser humano sente, sofre e chora em qualquer época, em qualquer circunstância.

 Jivago (Omar Sharif) é médico e poeta, no decorrer da história de vê dividido entre duas mulheres, Tonya (Geraldine Chaplin) e Lara (Julie Christie). O contexto histórico torna o filme verossímil, mostrando os horrores da guerra e a forma como o meio social afeta os indivíduos. Os encontros e desencontros de Jivago e Lara se mesclam à história da Rússia, e a narrativa poética mostra todos os sentimentos humanos que afloram tanto no amor como na guerra.

Nosferatu – o clássico do terror

 
Cena do original “Nosferatu”

Aproveitando o clima de medo dos filmes de terror, vamos relembrar um dos maiores clássicos filmes de terror de todos os tempos: “Nosferatu”. Dirigido pelo alemão Friedrich Wilhelm Murnau e baseado no brilhante livro “Drácula” de Bram Stoker, foi o primeiro filme de vampiros da história do cinema.

 “Nosferatu” se tornou um símbolo do expressionismo alemão, é uma adaptação não autorizada da obra literária, pois o diretor não conseguiu comprar os direitos autorais do livro, então manteve o enredo da obra, mas mudou os nomes dos personagens e também o local onde a história acontece, de Londres para Bremen, na Alemanha. Mesmo assim a viúva de Bram Stoker processou os produtores do filme e a justiça determinou que todas as cópias deveriam ser destruídas, mas algumas cópias já haviam sido distribuídas, e isso evitou a extinção desse fantástico filme, o que com certeza seria uma perda irreparável!

 Rodado em 1922, o que surpreende em “Nosferatu” são os recursos utilizados para gerar medo e terror. Mesmo sem meios tecnológicos, esse filme mudo em preto e branco transmite a verdadeira aura de terror, suspense e medo que um ambiente sombrio deve ter. Percebemos o mau na sua real forma, o vampiro em seu verdadeiro papel. A atuação do ator Max Schreck como Conde Orlok é simplesmente brilhante, ele encarna a verdadeira face do vampiro: um morto-vivo cruel, sombrio e esquálido. O filme conduz o espectador a uma dimensão de fantasias nefastas e irracionais, e aos poucos o leva ao mundo dos devaneios cruéis e assustadores de Nosferatu.

 Em 1979, o filme ganhou uma nova versão, também magnífica, dirigida por Werner Herzog, intitulada “Nosferatu: o vampiro da noite”, com o ator Klaus Kinsky no papel do maléfico vampiro. A releitura foi fiel ao filme original e também foi consagrada pela crítica.

Cena do remake "Nosferatu: o vampiro da noite"

Uma das melhores cenas dessa releitura é o jantar de Jonathan Harker no castelo de Nosferatu. Enquanto Jonathan come, o maléfico vampiro olha para ele durante muito tempo com uma feição assustadora em um cenário sombrio. A lentidão da cena permite ver com perfeição as expressões do vampiro e de sua vítima, e oferece um ar realmente assustador, dificilmente encontrado em outro filme de terror.

Mentiras saudáveis de Goffredo Lombardo

 
O produtor Goffredo Lombardo, que através de  mentirinhas saudáveis conseguiu Burt Lancaster para o papel principal de “O Leopardo”
 
 Muitas vezes o acaso nos proporciona boas surpresas. O produtor de “O Leopardo”, Goffredo Lombardo conta que o diretor Luchino Visconti queria o ator Laurence Olivier para o papel de Príncipe Salinas, contrariando a vontade do produtor que sugeriu Burt Lancaster, pois um ator Hollywoodiano alavancaria a bilheteria do filme. Visconti protestou: “Não, mas Lancaster é um Cowboy!”.
 

Lombardo conta que viajou para os EUA para falar com Lancaster a respeito do filme, chegando lá, mentiu, dizendo ao ator: “Visconti adoraria trabalhar com você”. Como Lancaster não conhecia o trabalho de Visconti, Lombardo deixou com ele um filme do diretor Europeu, e retornou para a Itália. Ao reencontrar Visconti, mentiu novamente: “Lancaster disse que adoraria fazer um filme conosco”.

Para surpresa de todos, Lancaster assistiu o filme de Visconti, gostou e entrou em contato com Lombardo, dizendo que queria atuar em “O Leopardo”. Goffredo conta que no primeiro encontro de Visconti e Lancaster, apresentou os dois e saiu da sala, morrendo de medo que eles descobrissem a mentira.

Pelo menos essa foi uma mentira saudável, afinal se não fosse por ela não teríamos a brilhante atuação de Burt Lancaster como Príncipe Salinas. Após “O Leopardo”, Visconti e Lancaster estreitaram relações e trabalharam juntos novamente no filme Violência e Paixãoque estreou em 1974.

O ator Laurence Olivier, indicado pelo diretor Luchino Visconti para o papel de Príncipe Salinas

 

O ator escolhido: Burt Lancaster em famosa cena de "O Leopardo" ao lado da atriz Claudia Cardinale

Marcando Época

O diretor italiano Luchino Visconti em gravação

Há filmes que deixam sua marca por onde passam, é o caso de “O Leopardo”.

Na entrevista que concedeu sobre o filme, o produtor Goffredo Lombardo conta que a equipe de produção rodou por Palermo durante vários dias, procurando mansões antigas, até encontrar uma que fosse perfeita para a ambientação de “O Leopardo”. Segundo o produtor, o diretor Luchino Visconti sempre foi muito perfeccionista, e se preocupava com os mínimos detalhes de seus filmes, por isso queria encontrar o ambiente perfeito para a gravação.

Lombardo diz ainda que a gravação do filme foi um espetáculo para as pessoas que moravam em Palermo, nas redondezas do set de filmagem. A população se agitava e queria participar do que estava acontecendo ali, a equipe de produção tentava manter a ordem durante as gravações mas não conseguia. A solução encontrada por Visconti foi chamar essas pessoas para serem figurantes! Incrível não? Mas um bom filme é assim mesmo, marca presença por onde passa, e acima de tudo, fica para sempre em nossas memórias. O perfeccionismo de Visconti gerou um belo resultado.

“É preciso que as coisas mudem para que continuem as mesmas”

 

 

Nós éramos os leopardos, os leões; esses que nos substituíram são os chacais, as hienas; e todos os leopardos, chacais e ovelhas continuarão a acreditar no sal da terra.

A sessão vintage fala hoje do filme que foi considerado por muitos a obra prima do diretor  italiano Luchino Visconti: “O Leopardo.”

Com belas paisagens e elenco de peso, “O Leopardo” foi inspirado no livro de mesmo nome, escrito por Giuseppe Tomasi de Lampedusa, e mostra com uma clareza verdadeira e emocionante a o retrato de toda uma época.

Na Sicília de 1861 a aristocracia decadente tenta se manter no poder em frente às revoluções burguesas, as revoluções de Garibaldi anunciam a unificação da Itália e a mudança do modelo de poder do país.

Dom Fabrizio, o Príncipe Salinas (Burt Lancaster, em seu melhor papel), tenta ignorar as mudanças que estão acontecendo em seu país, enquanto seu sobrinho Tancredi (Alain Delon) se une ao exército revolucionário, e justifica-se a seu tio com a frase que caractetiza o filme e o pensamento da aristocracia da época: “Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude “.

“O Leopardo” retrata essas mudanças, tanto no estilo de vida da aristocracia decadente, como na ascensão de outras formas de poder, e principalmente a flexibilidade dessa aristocracia para se manter em uma posição superior, mudando de lado conforme as regras do jogo

A magnífica atuação de Claudia Cardinalle também deve ser destacada. No papel de Angélica Sedara, a bela mulher que encanta Tancredi. Angélica é o modelo de mulher bonita e audaciosa, que vem de uma família burguesa e rica, porém sem títulos, e aspira reconhecimento social e títulos de nobreza. Ironicamente, essa linda moça possui mais dinheiro que seu noivo, o sobrinho do Príncipe Salinas. Amores à parte, esse casamento se mostra como mais uma das ferramentas de Tancredi para manter as coisas como são.

As cenas finais mostram o baile de noivado de Angélica e Tancredi, e são a síntese da situação presente e futura da aristocracia: Dom Tancredi firma seu compromisso com a burguesa para manter seu poder e sua posição social. O exuberante baile de noivado é representado por Visconti como uma cerimônia fúnebre, mostrando a decadência do Leopardo, e a morte de tudo o que ele representa.

A trama social é maravilhosa, mas o que mais encanta no filme é a sua emotividade, ao mostrar o impacto das mudanças sociais na vida e nos sentimentos das pessoas. A atuação de Lancaster é esplêndida, mostrando toda a emoção (ou falta dela), nostalgia e pessimismo de um príncipe que vê tudo aquilo que conhece escorrendo pelos dedos.

Premiações

OSCAR
Indicação
Melhor Figurino – Colorido

GLOBO DE OURO
Indicação
Melhor Revelação Masculina – Alain Delon

FESTIVAL DE CANNES
Vencedor
Palma de Ouro

Elenco


Burt Lancaster (Príncipe Don Fabrizio Salinas)

 

 

 

 

 

 


Alain Delon (Tancredi Falconeri)

Claudia Cardinale (Angelica Sedara)

Elenco completo:
  • Burt Lancaster (Príncipe Don Fabrizio Salinas)
  • Claudia Cardinale (Angélica Sedara)
  • Alain Delon (Tancredi Falconeri)
  • Paolo Stoppa (Don Calogero Sedara)
  • Rina Morelli (Princesa Maria Stella Salina)
  • Romolo Valli (Padre Pirrone)
  • Terence Hill (Conde Cavriaghi)
  • Pierre Clémenti (Francesco Paolo)
  • Lucilla Morlacchi (Concetta)
  • Ida Galli (Carolina)
  • Ottavia Piccolo (Catarina)
  • Carlo Valenzano (Paolo)
  • Anna Maria Bottini (Mademoiselle Dombreuil)
  • Lola Braccini (D. Margherita)
  • Howard Nelson Rubien (Don Diego)
  • Giovanni Melisenda (Don Onofrio Rotolo)
  • Serge Reggiani (Don Francisco Ciccio Tumeo)
  • Giuliano Gemma (General de Garibaldi)