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A Cidade das Mulheres no Século XXI

Hoje em dia as discussões sobre a situação da mulher na sociedade não são mais tão calorosas como antigamente… temos a impressão que finalmente mulheres e homens se equipararam em direitos e deveres, afinal, pensamos, até a presidente do Brasil é uma mulher! Imaginamos que a época de queimar sutiãs em praça pública já passou, e que o feminismo é um movimento tão esquecido e fora de contexto quanto as Diretas Já. Mas será mesmo que o machismo e o feminismo estão assim tão distantes do nosso dia-a-dia? “Cidade das Mulheres”, um clássico imortal do grande mestre do cinema Frederico Fellini, nos mostra de forma onírica a situação da mulher nos anos 80, e nos possibilita refletir sobre a situação da mulher nos dias de hoje.

Como muitos filmes do mestre, “Cidade das Mulheres” tem uma narrativa não linear, e é um filme muito mais representativo do que real. Com estilo onírico, o filme é altamente crítico, e retrata os pensamentos de homens e mulheres de uma época a respeito do “sexo frágil”. Leia o resto deste post

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Ainda em Tempos Modernos

“Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria.”
Charles Chaplin

 

Voltando a falar do mestre do cinema Charles Chaplin, não poderíamos deixar de comentar sobre uma de suas melhores obras, o imortal filme “Tempos modernos”, que encanta gerações desde que foi lançado. Se você já assistiu, sabe que “Tempos Modernos” é simplesmente incrível, e que poderíamos falar sobre ele durante horas, se ainda não assistiu saiba que vai se impressionar com a crítica de Chaplin à sociedade moderna e à industrialização.

 Já na primeira cena do filme Chaplin mostra seu humor satírico, comparando os trabalhadores apressados, indo para o trabalho, a um rebanho de animais. Essa primeira cena já sintetiza o argumento do filme: na época da indústria e da velocidade o homem perde a sua racionalidade e capacidade de análise crítica, na difícil batalha pelo pão de cada dia acaba se equiparando aos animais.

O filme é o retrato de uma época, mas ainda hoje continua sendo muito atual, pois descreve a forma como o homem é escravizado pelo trabalho maçante e repetitivo e condicionado pelo relógio, tendo que programar seu tempo de trabalho e descanso de acordo com a indústria. É muito conhecida a cena em que o trabalhador, estafado de tanto executar a repetitiva tarefa de apertar parafusos, sai da máquina e começa a apertar tudo o que vê pela frente como se fosse um parafuso. Nessa famosa cena, Chaplin critica a robotização do trabalho que surgiu no período a revolução industrial, em que o homem participa de parte do processo de produção mas não se reconhece como parte integrante dele ao ver o resultado final. Genial também é a exposição da difícil situação da garota órfã de mãe que rouba bananas em um navio para levar ao pai desempregado e às irmãs. Posteriormente seu pai morre e a garota foge para não ser levada pelo juizado de menores como suas irmãs, destino que para ela seria pior que enfrentar a vida sozinha.

O filme de Chaplin mostra de maneira satírica a realidade das pessoas diante da Revolução Industrial e dos avanços tecnológicos, e  exatamente por isso é uma obra prima ainda hoje atual. Ao assistir “Tempos Modernos” cada um de nós se identifica com determinada cena, se lembra de seu trabalho ou de seu chefe, ou de como se sente condicionado ao horário de trabalho ou ao horário de almoço. Muitas vezes nos sentimos engolidos pelas engrenagens da máquina e pelo sistema de trabalho que nos sufoca, tal como o gracioso e atrapalhado operário representado pelo eterno mestre do cinema.

Há muito a se falar sobre uma obra prima, e para encerrar o comentário de hoje, destacarei uma cena maravilhosa mas não muito comentada desse maravilhoso clássico: o trabalhador tenta servir as mesas no restaurante em que trabalha, mas os clientes do lugar ocupam o salão de baile, dançando, e não o deixam  passar com a bandeja. Essa cena é simplesmente genial, pois é exatamente assim que vivemos até hoje: o trabalhador faz malabarismos diariamente para executar seu trabalho, para sobreviver, apesar de todos os obstáculos enfrentados diariamente.Mais uma vez a arte imita a vida e o humor é utilizado com maestria para criticar a sociedade e mostrar o que muitos não querem ver.

Da próxima vez que assistir “Tempos Modernos” lembre-se da genialidade do grande artista que disse:

“A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.”
Charles Chaplin